
Por Rafael Arcanjo* e Carol Bremgartner | Foto: Heloísa Torres/ASCOM UFPA
O Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial (CCAD-IA) celebra, nesta quinta-feira (25), dois anos da inauguração do espaço físico no Campus Belém, da Universidade Federal do Pará. O edifício-sede do CCAD-IA abriga, atualmente, 10 laboratórios multidisciplinares e conta com mais 36 laboratórios associados, que utilizam um supercomputador para o desenvolvimento de pesquisas. A construção do prédio foi resultado de um projeto aprovado no edital CT-INFRA – 01/2018, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), liderado pelo Prof. Dr. João Weyl (ITEC/UFPA), diretor do centro.
O CCAD-IA, inaugurado em setembro de 2023, surge com o intuito de avançar o conhecimento científico e tecnológico na UFPA e no estado do Pará, além de receber o primeiro supercomputador multiusuário da universidade. A proposta para criação do centro começou a ser pensada em 2010, quando um grupo de pesquisadores de diferentes institutos da UFPA firmaram uma parceria com a atual Sectet – Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica. “O CCAD-IA faz parte de uma estratégia de implantação de laboratórios de ponta, diferenciados, aqui no Pará. Na época, articulamos uma série de ações para aprimorar o trabalho dos grupos de pesquisa da universidade. Estamos falando de uma grande ação de pesquisa, com propostas mais aderentes, que conseguissem mais recursos”, explica o professor João Weyl.
Segundo o Prof. Dr. Jerônimo Lameira (ICB/UFPA), coordenador do CCAD-IA, o principal objetivo da instituição é fornecer alto poder computacional às pesquisas desenvolvidas na universidade. “O CCAD-IA tem como missão possibilitar a realização de pesquisas da UFPA que demandam um alto poder computacional. Estas pesquisas são de diversas áreas, como genética, física, ciência dos materiais, bioquímica, entre outras. Então o nosso propósito é prover esse apoio para quem precisa dessas demandas de computação intensiva para solução de diversos problemas de fronteira, como a montagem de genoma, previsão do tempo, trabalhos de engenharia, trabalhos de desenvolvimento de fármacos”, conta o Prof. Jerônimo.
O grande destaque CCAD-IA é o supercomputador “Apollo 2000” da empresa HPE (Hewlett Packard Enterprise), uma máquina com suporte multiusuário e desempenho muito superior à dos computadores e notebooks cotidianos, pois é composta por 31 nós computacionais, 868 cores, 3.392 GB de memória, 156 TB de armazenamento e 1 GPU NVIDIA. Para o professor Jerônimo, este equipamento é estratégico para o desenvolvimento tecnológico e científico da Região Norte. “Na ciência, a divulgação científica é muito importante e acontece principalmente por meio de publicações de alto nível. Então esses trabalhos precisam de equipamentos capazes de gerar dados para o pesquisador. Um equipamento desses na nossa região é estratégico”, aponta o coordenador.
No ano de 2024, o CCAD-IA contava com 152 usuários cadastrados no “Apollo 2000”; 36 laboratórios associados; parceria com dez institutos da Universidade Federal, bem como com os campi Castanhal e Tucuruí; parceria com 14 programas de pós-graduação. Graças à estrutura multiusuária do Centro de Computação, já foram publicados mais de 22 artigos científicos e dois capítulos de livros, além de dezenas de teses doutorado e dissertações de mestrado.
Os próximos passos
Para o Prof. João Weyl, o futuro do CCAD-IA passa por uma palavra: ampliação. Para alcançar esta meta, é preciso expandir a infraestrutura do Centro. “Se depender de mim, das ações que hoje me movem, é a ampliação. Colocar grupos maiores, quando a gente chama mais gente para almoçar na nossa casa, precisamos colocar água no feijão né?”, destaca o diretor.
Neste ano de 2025, os pesquisadores dos laboratórios vinculados ao CCAD-IA já aprovaram diferentes projetos em editais de diversos tipos e áreas. Dentre eles, destaca-se o INCT IAmazônia, que propõe a instalação de um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia voltado à integração de Inteligência Artificial para auxiliar em diferentes frentes de trabalho, indo do reconhecimento precoce do câncer de colo de útero ao uso de IA para o desenvolvimento de cidades inteligentes, unindo tecnologia e sustentabilidade para criar soluções inovadoras. O IAmazônia foi o único projeto aprovado na chamada 46/2024, dos nove estados da Amazônia Legal, dedicado à inteligência artificial.
Essa expansão, que já está a todo vapor, visa também aumentar o uso da infraestrutura computacional disponível graças ao CCAD-IA em outros municípios do estado.“Eu vejo assim: o CCAD-IA tá aí, já é uma referência na Universidade Federal do Pará, é quase uma referência no estado, mas tem que abrir.”, finaliza o Prof. João Weyl.
* bolsista do Laboratório de Comunicação e Difusão da Ciência, sob supervisão da Profa. Dra. Ana Prado
