
Por Carol Bremgartner | Foto: Carol Bremgartner
Ampliar o acesso à formação em inteligência artificial (IA) e incentivar soluções inovadoras para a Amazônia, foram os principais objetivos do curso online oferecido pelo Instituto de Inteligência Artificial Aplicada – I2A2, que gerou resultados positivos para o desenvolvimento do conhecimento em IA na região amazônica.
O curso foi uma parceria do instituto paulista I2A2 com o Laboratório de Simulação e Biologia Computacional (SimBic) do Centro Paraense de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial (CCAD-IA) da UFPA. Oferecida de forma gratuita e online, a formação ocorreu de 30 de abril a 8 de outubro de 2025, voltada para pesquisadores e entusiastas da área da IA.
As aulas abrangeram diferentes aspectos da programação e da IA, desde fundamentos matemáticos a aplicações mais específicas, como processamento de linguagem natural e análise de séries temporais (sequências de dados coletados e ordenados cronologicamente). A metodologia de ensino foi pensada pelos instrutores do curso de forma que os conteúdos pudessem ser compreendidos por pessoas que tivessem desde o conhecimento básico em IA até o mais avançado.
Os resultados impressionaram os instrutores: foram cerca de 200 alunos e sete projetos finais selecionados com propostas inteligentes para questões socioambientais da Amazônia. “Nós tivemos projetos de altíssima qualidade entregues ao final do curso, alguns deles podendo se desenvolver em artigos publicados em revistas científicas”, conta o instrutor do Instituto I2A2, Celso Azevedo. Ele também destaca a participação da Região Norte no curso, que representou 90% dos alunos: “Esse era o nosso objetivo: promover esse avanço fora do eixo Rio-São Paulo, nisso, com certeza, tivemos sucesso”.
Nos projetos finais, foram trabalhados temas como o uso da inteligência artificial para o manuseio e descarte de lixo urbano, para a previsão de inundações e queimadas, para o monitoramento da qualidade do ar, entre outros – todos com foco no contexto de cidades amazônicas. “Muitos alunos afirmaram para nós ter encontrado, durante a formação, seu tema de trabalho de conclusão de curso, de mestrado, de doutorado. Ou seja, até nisso o curso foi muito importante”, conta o Prof. Bruno Duarte Gomes, instrutor do curso e coordenador do laboratório SimBic do CCAD-IA.
“Uma coisa primordial para que essas soluções se desenvolvam é a existência de dados de qualidade e os alunos se empenharam bastante nisso.” afirma o Prof. Onédio Seabra Júnior, também instrutor do curso, sobre os trabalhos realizados pelos alunos. Além disso, ele ressalta que a reunião desses projetos formam um grande portfólio estratégico de inovação para a região: “Esses 200 alunos podem vir a colaborar usando os projetos em políticas públicas do Estado, a partir da chegada de investimento e recursos, justamente para evolução do território e da região Norte como um todo”.
A presença da IA é crescente no mundo e no mercado de trabalho. O curso I2A2 buscou fomentar o interesse dos alunos de fora do eixo Sul-Sudeste do país e mostrar as possibilidades positivas que essa ferramenta pode oferecer para mudar as diversas realidades da região amazônica. “Não há dúvidas que a única maneira de ‘sobreviver’ a essa fase da inteligência artificial, cuja presença tende a se intensificar, é saber como ela funciona. Isso faz com que um curso como esse, em uma região carente como a nossa, seja incrivelmente importante – mais do que seria para a região Sudeste do país que já recebe bastante investimento nessa área”, complementa o Prof. Bruno Duarte.
