I Workshop Amazônico Brasil++ finaliza com sucesso semana que discutiu o uso de IA para o diagnóstico do câncer de colo de útero na Amazônia
Publicado em 15/08/2025

Por Carol Bremgartner | Foto: Carol Bremgartner
Na manhã desta quinta-feira (14), chegou ao fim o “I Workshop Amazônico Brasil++: inteligência artificial e inovação no diagnóstico do câncer cervical“, com a realização de uma mesa de encerramento no auditório do Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial da UFPA (CCAD-IA), com a presença do Prof. Renato Francês, coordenador do projeto “Rede Brasil++” e de professores de instituições internacionais que trouxeram observações sobre os resultados preliminares das pesquisas e os desafios técnicos identificados.
Durante uma semana intensa de troca de conhecimentos, profissionais das áreas da saúde e da tecnologia puderam analisar pontos importantes na realidade do atendimento à saúde pela rede pública na Amazônia e do uso de tecnologias inteligentes no setor, a fim de impulsionar os trabalhos do projeto “Rede Brasil++: rede de cooperação em inteligência artificial e saúde para auxílio ao diagnóstico precoce do câncer cervical”.
Foram realizadas três oficinas, nas quais os professores internacionais compartilharam atualizações e ferramentas que podem otimizar o trabalho dos pesquisadores. Além disso, a equipe do projeto pôde, por meio de duas visitas técnicas, uma no Núcleo de Pesquisa em Oncologia (NPO) e outra no Lacen (Laboratório Central do Estado), conhecer o trabalho que já vem sendo feito pelos profissionais que estão à frente da rede pública de saúde no estado do Pará e discutir, em conjunto, possíveis avanços para o uso de IA no diagnóstico do câncer de colo de útero na Amazônia.

Ao fim da semana, os pesquisadores do projeto constataram o que ainda deve ser feito para aprimorar as ferramentas de IA que analisarão as lâminas de exame de Papanicolau, como a necessidade de treinar a máquina para identificar imagens complexas e itens particulares de cada imagem, que podem estar sobrepostos ou fora do padrão. Além disso, os professores destacaram a importância de melhorar a qualidade dos dados que alimentarão as redes neurais, para se obter, consequentemente, resultados mais precisos – observações que serão essenciais para os próximos passos do projeto.
Durante uma fala na mesa de encerramento, o Prof. Renato Francês afirmou que a partir dos trabalhos da “Rede Brasil++”, a IA passa a ser uma ferramenta de inclusão social para uma parcela da população que está à margem do sistema único de saúde e que ainda não consegue ser atendida por completo. Ademais, afirmou que a Amazônia possui desafios em uma escala muito maior do que outras regiões do país, que são singulares em relação ao Brasil, mas não ao restante do mundo. “Esse trabalho não encontrará soluções apenas para a Amazônia, elas servirão para outros países com problemas semelhantes, como a Índia e a China.” O coordenador do projeto também destacou a relevância de se estar produzindo ciência e tecnologia de ponta na Amazônia e por pesquisadores da região e apontou o projeto como uma forma de encurtar a assimetria na produção científica no país e trazer destaque para as pesquisas que estão sendo feitas na região norte.
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Workshop Brasil++: primeiro dia é marcado por homenagens e visita ao Laboratório Central do Estado
Publicado em 12/08/2025

Por Rafael Arcanjo* | Foto: Rafael Arcanjo
A cerimônia de abertura do “I Workshop Amazônico Brasil++” ocorreu na manhã desta segunda-feira (11), no auditório do Espaço Inovação, dentro do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá – PCT Guamá. A ocasião contou com a participação de autoridades de saúde, médicos e interessados na integração de saúde e Inteligência Artificial, além de uma homenagem especial à Profa. Mihoko Tsutsumi pelas suas contribuições à ciência e à saúde na Amazônia. O principal objetivo do projeto é fornecer um pré-diagnóstico de forma rápida sobre o câncer cervical, para diminuir o tempo de espera pelo resultado do exame, especialmente em regiões remotas ou com pouca infraestrutura.
A mesa de abertura foi formada pelo coordenador geral do workshop, Prof. Dr. Carlos Renato Francês; pelo Prof. Dr. Paulo Assumpção, diretor do Núcleo de Pesquisas em Oncologia, da Universidade Federal do Pará e integrante do projeto; por Patrícia Martins, Coordenadora Estadual de Atenção Oncológica, representando a Secretária de Estado Ivete Vaz, e o Governador do Estado, Helder Barbalho; e o Prof. Dr. Edmar Tavares, representando o Reitor da UFPA, Gilmar Pereira. Cada um dos integrantes saudou os presentes na cerimônia e compartilhou suas expectativas para a realização do projeto “Rede Brasil++”, do qual o workshop faz parte.

Posteriormente, subiram ao palco os professores Paulo Assunção e André Khayat, ambos são pesquisadores da área da Oncologia, para homenagear a já aposentada Profa. Mihoko Yamamoto Tsutsumi, grande nome da citologia clínica no Pará. A professora foi essencial na formação de recursos humanos em saúde na Amazônia em geral, e no fortalecimento do SUS.
Também foi apresentado ao público a interface desenvolvida pelos pesquisadores da Rede Brasil++, na qual o profissional que realizará a coleta do Papanicolau fará o cadastro da paciente, bem como submeterá as imagens das lâminas contendo o material celular à análise da IA. Com as imagens processadas, a partir do uso da “Visão Computacional”, o sistema será capaz de apontar a presença de células anormais, enviando esse resultado preliminar para os especialistas para avaliação final.
A grande motivação por trás do projeto Rede Brasil++ é agilizar o tempo entre a coleta e o resultado dos exames, especialmente em regiões com pouca infraestrutura em saúde, facilitando assim a antecipação diagnóstica. No futuro, a tecnologia desenvolvida pelo projeto poderá se integrar ao sistema SUS, para que a paciente, caso tenha células cancerígenas detectadas no exame, seja encaminhada diretamente para acompanhamento médico.
Visita técnica ao Lacen
Na tarde de ontem, pesquisadores do projeto e os convidados brasileiros de instituições estrangeiras realizaram uma visita técnica ao Laboratório Central do Estado – Lacen/Pa. Na ocasião, os presentes puderam acompanhar todas as etapas de como é feita a análise das lâminas do Papanicolau, realizada pelo laboratório.
O I° Workshop Amazônico Brasil++ é uma realização do Núcleo de Pesquisas em Oncologia em conjunto com o Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial – CCAD-IA, com o apoio do Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada a Smart Cities – Labcity, do Laboratório de Comunicação e Difusão da Ciência – LabCDC, e do Instituto Sustentabilidade da Amazônia com Ciência e Inovação – iSaci. Esta iniciativa conta com patrocínio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, da Fundação Guamá e do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá – PCT Guamá.
* Bolsista de Comunicação do Laboratório de Comunicação e Difusão da Ciência, do CCAD-IA, sob supervisão da Profa. Dra. Ana Prado.
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Primeiro Workshop Brasil++ debate uso de IA para antecipação diagnóstica de câncer de colo de útero

Publicado em 08/08/2025
Por Carol Bremgartner e Rafael Arcanjo
Do dia 11 a 15 de agosto, ocorrerá o “1º Workshop Brasil++”, uma das atividades do projeto “Brasil++: Rede de Cooperação em Inteligência Artificial e Saúde para o Auxílio ao Diagnóstico Precoce de Câncer Cervical”, coordenado pelo Prof. Dr. Renato Francês. O evento contará com uma extensa programação de oficinas sobre o uso de IA em pesquisas. A abertura do evento será realizada no auditório do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá – PCT Guamá, a partir das 9h, com a presença de autoridades, pesquisadores da área da Oncologia e da Inteligência Artificial no Pará, bem como de instituições estrangeiras.
A programação de abertura do evento será aberta ao público. Já as oficinas serão destinadas aos pesquisadores e integrantes dos laboratórios vinculados ao Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial – CCAD-IA/UFPA. Os cursos ofertados durante o workshop serão ministrados por pesquisadores brasileiros que atuam no exterior. Nas atividades, os oficineiros apresentarão experiências, resultados de pesquisas e oportunidades de cooperação voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da ciência, tecnologia e inovação.
A vice-coordenadora do projeto, Profa. Dra. Evelin Helena Cardoso Gomes, explica que o objetivo do encontro é reunir pesquisadores, profissionais da saúde, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir soluções inovadoras voltadas à melhoria do diagnóstico precoce do câncer do colo do útero, especialmente em populações em situação de vulnerabilidade, com o apoio de tecnologias baseadas em inteligência artificial. A programação do evento terá ações imersivas para os pesquisadores estrangeiros, onde eles farão visitas a locais específicos relacionados ao diagnóstico do câncer de colo de útero.
“Vamos fazer visitas ao Laboratório Central do Estado do Pará – Lacen, que faz análises citopatológicas de lâminas que são coletadas por meio de exame de Papanicolau no interior do estado e na Região Metropolitana de Belém; a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que oferece o serviço de saúde às mulheres e onde ocorre a coleta da amostra para o exame; e também a própria estrutura da UFPA e do Hospital Barros Barreto, onde estão localizados os grupos de pesquisa que estão trabalhando dentro dessa temática do uso da Inteligência Artificial para o diagnóstico do câncer de útero”, aponta a vice-coordenadora.
IA e saúde
O câncer de colo de útero é o terceiro que mais mata mulheres no Brasil. De acordo com dados de 2023, do Ministério da Saúde, na região Norte a doença ocupa o segundo lugar dentre as neoplasias que afetam o público feminino. A prevenção e o diagnóstico antecipado fazem toda a diferença na expectativa de vida. Na região amazônica, com dimensões continentais, a inteligência artificial é uma forte aliada para reduzir o tempo de espera entre um exame e o encaminhamento para o tratamento da doença.
De acordo com a pesquisadora, o principal objetivo da Rede Brasil++ é fornecer agilidade no diagnóstico precoce do câncer de colo de útero e alterações que exigem uma maior atenção. A aplicação desse novo processo no sistema de saúde visa diminuir o tempo de espera posterior à coleta das lâminas do papanicolau, especialmente para aquelas cuja coleta ocorreu, por exemplo, em localidades com pouca infraestrutura ou remotas. “Imagina uma paciente que esteja em um município distante dos grandes centros, ou mesmo em comunidades remotas, ribeirinhas, que precisam se deslocar por um longo período para realizar o exame. A paciente realiza o exame e retorna para sua residência e deverá aguardar por semanas o resultado do exame ser disponibilizado. Muitas vezes, essa paciente não retorna ao ponto de coleta ou não é encontrada numa tentativa de contato. Perde-se o seguimento, o que pode acarretar em sérios prejuízos para a saúde, prejudicando o diagnóstico e tratamento precoce. Portanto, se ela puder contar com um sistema que possa fazer o preparo imediato daquela lâmina que foi coletada, um preparo também otimizado em que a imagem dessa lâmina possa ser submetida a este sistema, a própria IA vai conseguir dar esse pré-diagnóstico, quase em tempo real, que vai ser confirmado por um citologista, seja em Belém, ou em qualquer lugar do mundo”, descreve a Profa. Dra. Evelin Gomes.
O Pará na dianteira da Inteligência Artificial
A Rede Brasil++ é um dos braços de atuação do futuro IAmazônia, uma das propostas aprovadas no Edital 46/2024 da chamada INCT realizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. O INCT IAmazônia foi a única proposta da Amazônia Legal sobre IA aprovada no certame e atuará no auxílio ao diagnóstico não somente de câncer, mas também na avaliação da qualidade dos rios amazônicos, no uso da ciência para desmistificar informações falsas, por exemplo. Este Instituto terá a colaboração de pesquisadores brasileiros e de diferentes instituições de pesquisa e empresas internacionais, dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia.
Acesse a programação no link:
https://drive.google.com/file/d/17N–TQC_pL7_hYm8aRNTQ-2niS8w_IJs/view?usp=drive_link
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Abertura marca o início do curso gratuito de Letramento Digital em Inteligência Artificial no PCT Guamá

Publicado em 04/08/2025
Por Carol Bremgartner | Foto: Rafael Arcanjo
Iniciou nesta segunda-feira (4), o curso gratuito de “Letramento Digital em Inteligência Artificial”, promovido pela Fundação Guamá, instituição de ciência e tecnologia gestora do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá. Em uma aula de abertura, professores, organizadores e apoiadores do curso puderam conversar com os estudantes selecionados sobre o propósito da iniciativa e compartilhar expectativas.
A iniciativa visa democratizar o acesso ao conhecimento em IA. Para isso, foram ofertadas 20 vagas para jovens dos bairros Terra Firme, Guamá e do entorno do PCT/Guamá. O Prof. Dr. João Weyl, diretor presidente da Fundação Guamá e diretor do Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial (CCAD-IA) da UFPA, conta que o curso é um passo importante para futuros projetos de inclusão digital. “Esse seria o primeiro experimento, digamos assim, mas vêm muitas outras coisas por aí, porque muitos outros conhecimentos são produzidos aqui no Parque de Ciência e Tecnologia e que a gente tem que levar para apropriação da comunidade”, aponta o diretor.
Para o Prof. Dr. Bruno Duarte, um dos professores do curso e pesquisador do CCAD-IA, o letramento digital é fundamental. Ele explica que passamos por um período, nos anos 90, de exclusão digital, que atingiu principalmente os jovens em situação de vulnerabilidade e de países em desenvolvimento, e sinaliza a evolução rápida da IA como uma nova ameaça de exclusão. “É preciso que você aprenda a usar as ferramentas de inteligência artificial para que você não faça parte dessa nova fase de exclusão. Não somente é importante estar dentro dessa revolução da IA para que você possa participar do mercado de trabalho de modo efetivo e adequado, mas também para que você possa evitar as armadilhas da inteligência artificial”, afirma o professor.
Durante o curso os estudantes vão ter aulas de temas como engenharia de prompt, programação em Python, fundamentos de machine learning e visão computacional. “É uma área promissora pro mercado de trabalho atualmente e não só isso, é um pré-requisito básico para muitas oportunidades no mercado. Então a oportunidade de um curso gratuito, que me oriente a utilizar essa ferramenta de forma adequada, pareceu muito bem vinda”, conta José Lourenço, estudante de Economia da UFPA e um dos selecionados para o curso.
As aulas do curso ocorrem no turno da manhã, segundas e quartas, no PCT Guamá e vão até o dia 19 de dezembro.
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UFPA celebra parceria de 24 anos com a empresa sueca Ericsson

Publicado em 02/07/2025
Por Carol Bremgartner | Foto: Liane Barbosa
Pesquisadores, coordenadores, professores e bolsistas de projetos da Universidade Federal do Pará (UFPA) se reuniram com membros da Ericsson, empresa de tecnologia especializada no setor de telecomunicações, nos dias 25 e 26 de junho, para a realização de um workshop entre as equipes e celebrar a parceria de mais de duas décadas entre a universidade e a empresa sueca. O primeiro dia de reunião ocorreu no auditório do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT) e no dia seguinte foi realizado o segundo encontro no auditório do Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial (CCAD-IA) da UFPA.
A empresa vem trabalhando juntamente com a UFPA no desenvolvimento de pesquisas voltadas para redes 6G, inteligência artificial aplicada a telecomunicações e outros projetos de inovação. Durante as reuniões técnicas, os membros das equipes puderam discutir e acompanhar os resultados de alguns projetos derivados dessa colaboração. Além disso, foi possível destacar tópicos com potencial para projetos futuros com a Ericsson.
A pesquisadora da Ericsson no Brasil e responsável pela coordenação de projetos de pesquisa em conjunto com universidades, Maria Valéria Marquezini, destaca os resultados positivos desse trabalho. “A UFPA é a nossa única parceira na Região Norte e muito nos orgulha essa parceria que tem gerado muito resultado. Atualmente, temos vários talentos trabalhando conosco, na Ericsson, que são oriundos desses projetos que foram desenvolvidos em parceria com a universidade”, conta.
Ao longo desses 24 anos, para o coordenador da parceria local, Prof. Dr. João Weyl, há muito o que celebrar. “Essa é uma das mais antigas parcerias entre a universidade e uma empresa de tecnologia, o que tem gerado investimentos em projetos de pesquisa, proporcionando melhoria significativa na infraestrutura de laboratórios e ajudando na capacitação e formação de centenas de estudantes da universidade”, explica.
Por conta desse trabalho conjunto, a UFPA participa atualmente da União Internacional de Telecomunicações (UIT) das Nações Unidas e já recebeu o Prêmio Santander Universidade, premiação nacional em reconhecimento à produção acadêmica. Tendo como outro destaque, o registro, em 2023, de uma patente de tecnologia de autorreparo para antenas que vão suportar as redes 6G, desenvolvida pela Ericsson com estudantes da universidade.
Segundo o Prof. Dr. Aldebaro Klautau, da Faculdade de Engenharia da Computação e Telecomunicações da UFPA, pesquisador do projeto, objetivo é prolongar essa relação. “Essa colaboração nos deixa bastante orgulhosos, temos certeza que ela continuará e outras gerações irão se beneficiar desta parceria”, afirma.
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Projeto avalia saúde do Rio Caeté nos entornos de Bragança
Publicado em 17/06/2025

Por Felipe Vilhena e Rafael Arcanjo* | Foto: Ana Prado
O projeto “Bioprospecção dos microrganismos para a caracterização do potencial Biotecnológico em ambientes impactados e seu reflexo na sustentabilidade no Estuário do Rio Caeté em Bragança-PA” financiado pelo CNPq e coordenado pelo professor Rommel Ramos, do Laboratório de Simulação e Biologia Computacional, do Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial/UFPA, realizou, no começo deste mês, a primeira viagem de campo para Bragança, município distante cerca de 220 km da capital do Pará. O objetivo da expedição foi coletar água em diferentes pontos do rio Caeté com a finalidade de identificar os contaminantes e os possíveis impactos nas populações e na flora local próximas à margem, sobretudo, as áreas de manguezais.
Na região amazônica, os rios são a principal fonte de subsistência para ribeirinhos, indígenas, povos tradicionais e demais populações afastadas dos centros urbanos que sofrem de inúmeros problemas de saúde pela contaminação da água, principalmente por plástico e dejetos humanos. Além disso, a região do Caeté abriga uma das maiores estruturas preservadas de mangue do mundo, agora ameaçada pela poluição humana nos arredores.
O objetivo dos pesquisadores é investigar como a poluição dos rios tem modificado os microorganismos presentes na água. “A gente quer avaliar como isso (Pressão Antropogênica) está modificando aquela comunidade de microorganismos que estão presentes naquelas amostras. Inclusive, podem gerar vários problemas relacionados à saúde humana, à saúde animal e, obviamente, podem funcionar como bioindicadores de impacto no ambiente”, compartilha Rommel. A partir desse panorama, será possível pensar na melhora da saúde do ecossistema como um todo, humanos, animais e vegetais, uma abordagem conhecida como saúde única (One Health).
Coleta em Bragança
Segundo Daralyns Macedo, pesquisadora do projeto, as coletas são divididas em diferentes etapas. “Primeiramente, partimos da definição dos pontos de coleta ao longo do rio, com o intuito de obtermos uma boa representatividade do mesmo. Posteriormente, vamos aos locais e realizamos as coletas em triplicata, utilizando um equipamento chamado de garrafa de Van Dorn para captação das amostras de água”, explica a pesquisadora.
Com as amostras em mãos, a água é filtrada usando uma membrana que, posteriormente, será usada para extrair o DNA ambiental. O material é encaminhado para sequenciamento, e com os resultados, os integrantes do projeto fazem análises computacionais para identificar as famílias e os grupos das bactérias presentes na água. É nesta etapa onde o projeto se encontra atualmente.
À primeira vista, de acordo com o coordenador Rommel Ramos, foi detectada a presença de coliformes fecais nas amostras coletadas no Rio Caeté. “A presença de coliformes na água indica uma contaminação muito pela falta de saneamento básico, porque tem detritos da população na região. A presença de coliformes na água mostra um pequeno panorama do impacto no ambiente. Só que aquelas bactérias que tu identificas por marcadores nos dão informações funcionais, pode ser que algumas bactérias façam a aquisição de genes que podem conferir resistência e torná-las potenciais emergências na saúde humana” descreve o professor.
Para ele, a análise não termina com a identificação desses microrganismos, mas sim, começa a se aprofundar. “Às vezes, se você olhar só o que é coliforme, você identifica Escherichia coli, identifica uma clostridium. Isso é importante? É. Mas não te diz tudo, que é justamente o que o estudo faz. O estudo tenta aprofundar essas análises para poder chegar num aumento dessa precisão na identificação desses patógenos humanos em geral”, aponta Rommel.
Potencial da pesquisa
Pesquisadores já apontam que os rios da Amazônia se encontram em um estado de poluição por plástico, que também é um dos focos da pesquisa no Caeté. Em entrevista para a Revista “Pesquisa Fapesp”, o professor da UFPA e oceanógrafo José Martinelli estima que mais de 182 mil toneladas de plástico são despejados na Amazônia brasileira, o que a torna a segunda bacia hidrográfica mais poluída do mundo. Trabalhos de bioprospecção como o feito no Estuário do Rio Caeté em Bragança são relevantes porque, a partir da análise das amostras, a iniciativa tem a capacidade de reconhecer com profundidade quais microrganismos estão presentes naquele corpo d’água. Com os dados obtidos, é possível identificar quais deles têm capacidade de infectar as pessoas que usam a água do rio, seja para consumo, recreação, criação animal etc.
Além do trabalho de prevenção, possibilitado pelo projeto junto às autoridades estatais, os resultados também podem auxiliar a iniciativa privada regional a economizar. “A gente tem dois grandes momentos aí. Primeiro, transferência para o Estado, de forma a balizar políticas públicas, ações do Estado e também tem transferência para iniciativa privada. Veja, esses rios na região, não só de Bragança, como outros municípios que nós já trabalhamos, eles usam essas águas para atividades econômicas como a criação de peixes”, destaca Rommel Ramos. Ao identificar as comunidades de microrganismos presentes na água, é possível prever ou mitigar problemas de saúde na população, perdas financeiras em atividades econômicas relacionadas à produção de pescados em cativeiro, por exemplo.
* Bolsistas de Comunicação do Laboratório de Comunicação e Difusão da Ciência, do CCAD-IA, sob supervisão da profa. Dra. Ana Prado.
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CCAD-IA sedia imersão em tecnologia, ciência e pesquisa

Publicado em 23/05/2025
Por Rafael Arcanjo* | Fotos: Felipe Vilhena
O Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial, da Universidade Federal do Pará, o CCAD-IA/UFPA, recebeu, na manhã desta sexta-feira (23), o primeiro LEA Day, evento promovido pelo Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado (LEA), coordenado pelo Prof. Dr. João Weyl. A programação do evento incluiu apresentações sobre os projetos desenvolvidos pelo LEA, assim como uma palestra sobre LLMs (Large Language Models), um tipo de inteligência artificial.
Para o Prof. Dr. João Weyl, o evento significa uma oportunidade para os integrantes do projeto exporem, entre si e para a comunidade acadêmica da universidade, os trabalhos realizados no pela equipe que forma o LEA. “No nosso dia-a-dia do laboratório, a gente vive muito na nossa bolha, e logicamente que esses garotos [integrantes do projeto] têm a oportunidade de apresentar trabalhos em conferências externas, mas a gente acaba falando pouco para nós mesmos, e às vezes, nem dentro do laboratório, principalmente num laboratório que tem pesquisas tão diferentes, os alunos não conheçam o trabalho do outro”, aponta.
O prof. Weyl também destacou o evento como uma oportunidade para que os participantes possam treinar suas habilidades, seja de apresentação, difusão da sua produção etc. Um dos principais objetivos do LEA Day é abrir o laboratório para o público e mostrar as linhas de pesquisa operadas nele, como forma de difundir o conhecimento produzido pelo projeto e atrair mais participantes.
O coordenador conta que a intenção é realizar outras edições do evento futuramente e que a feita na manhã desta sexta-feira é um teste. “A nossa meta é fazer pelo menos uma vez por semestre. Também estamos fazendo isso como um ensaio, se ficar bem legal, podemos para um trabalho num auditório maior, talvez com workshops diários, talvez difundir em várias linhas. Enfim, é uma estratégia, uma função nossa de difusão.. os trabalhos apresentados não precisaram de submissão, não tem aquela coisa da conferência. É para que cada um fale e conheça a sua pesquisa”, revela.
Segundo o professor, o LEA Day registrou mais de 100 inscrições e a primeira parte da programação lotou o auditório do CCAD-IA. Para o professor João Weyl, a principal expectativa com o evento é que o público esteja gostando e conhecendo mais sobre o Laboratório . “Olha, eu acho que o público mostra o quanto tá sendo bom. É como eu falei, lá dentro esse grupo todo, a maioria que tá lá, circulam mais de cinquenta pessoas, dentre graduandos, professores, doutorandos. Então a expectativa é que o público esteja contente. Uma coisa é a gente trabalhar no dia-a-dia, outra coisa é parar e dizer assim: o quê que eu faço? Como é que eu faço? E fazer para um público que não é só do meu trabalho, mas é externo.”, finaliza.
*Bolsista de Comunicação/CCAD-IA sob supervisão da Profa. Dra. Ana Prado.
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PPGEE promove workshop de IA para discentes de mestrado e doutorado

Imagem: Felipe Vilhena
Incentivar o uso de inteligência artificial em projetos de dissertação e teses é o objetivo do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica (PPGEE/UFPA) com o 1º Workshop PPGEE-PRODEPA: Integração de Sistemas com Inteligência Artificial. Os alunos vinculados à PRODEPA e interessados podem comparecer nesta sexta-feira, às 9h, no Auditório do prédio do Centro de Computação de Alto Desempenho (CCAD), próximo ao portão 4 da UFPA.
Para participar, os alunos vinculados à PRODEPA devem apresentar, com o apoio de seu orientador, uma proposta de aplicação de IA alinhada à sua experiência com os sistemas da empresa. A apresentação deve ser feita em até três slides e apresentar um resumo da proposta, incluindo o sistema-alvo, o problema identificado, as sugestões de possíveis técnicas de IA a serem aplicadas e os benefícios esperados. Cada discente terá 10 minutos de exposição, seguida de comentários e sugestões dos demais participantes. Para padronizar e facilitar a organização do workshop, será disponibilizado um modelo de slide que deve ser utilizado por todos.
Serviço:
Data: 09 de maio de 2025
Horário: 9h
Local: Auditório do prédio do CCAD – Centro de Computação de Alto Desempenho
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Instituto I2A2 oferta curso online gratuito de Inteligência Artificial no Pará

Publicado em 07/04/2025
Por Rafael Arcanjo* | Foto: Gerada por IA.
O Instituto de Inteligência Artificial Aplicada (I2A2), em parceria com o Laboratório de Simulação e Biologia Computacional (SimBic), do Centro Paraense de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial (CCAD-IA) da UFPA, inscreve para um curso gratuito de especialização em inteligência artificial aplicada aos desafios socioambientais da Amazônia, voltado a pesquisadores e entusiastas da área de IA. As aulas serão online, e o curso prevê também a realização de atividades assíncronas, workshops práticos, estudos de caso e mentoria para desenvolvimento de projetos. As inscrições devem ser feitas via formulário digital até o dia 29 de abril. O curso tem duração prevista de seis meses, com início das aulas previsto para o dia 30 deste mês, sempre das 19h às 21h.
O professor Bruno Duarte, um dos coordenadores do SimBic e membro do I2A2, aponta a parceria entre as instituições como estratégica para o desenvolvimento da IA. “A variedade de temas pesquisados pelo SimBic, como IA aplicada à área de saúde, Bioinformática aplicada ao desenvolvimento sustentável e Bioeconomia, assuntos bastante relevantes para a região Amazônica, torna a parceria estratégica ao desenvolvimento de recursos humanos na tecnologia mais importante criada pela humanidade em décadas [a IA]”, comenta.
O programa do curso abrange diferentes aspectos da programação e da IA, desde fundamentos matemáticos a aplicações mais específicas como processamento de linguagem natural e análise de séries temporais. Os inscritos vão desenvolver as competências necessárias para criar sistemas avançados de Medição, Relato e Verificação para créditos de carbono, desenvolver modelos climáticos hiperlocais e implementar plataformas de comércio justo para produtos da sociobiodiversidade.
Duarte afirma que o SimBic entende a integração entre Inteligência Artificial e Amazônia como uma oportunidade para a criação de um modelo de conservação e desenvolvimento ambiental. E para esse processo, “o sucesso dessa integração depende de um compromisso profundo com a preservação ambiental, o respeito às comunidades locais e o investimento em formação de recursos humanos capazes de desenvolver e implementar soluções tecnológicas contextualizadas para os desafios amazônicos” disse.
IA em ascensão
Segundo a Bain & Company, uma empresa de consultoria e gestão global americana, o investimento global em Inteligência Artificial deve atingir a casa dos US$990 bilhões em 2027. O setor de tecnologia, especificamente o da IA, tem sido palco de uma corrida entre países e empresas privadas pelo destaque e liderança no cenário mundial. No Brasil, em 2024, os ativos em tecnologia e IA movimentaram mais de R$98 bilhões na bolsa de valores de São Paulo, de acordo com o site de notícias B3 Bora Investir.
Também no ano passado, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou o novo Plano Brasileiro de IA, nomeado “IA para o Bem de Todos”. O documento, entregue à Presidência da República em julho daquele ano, prevê um investimento total de R$23,03 bilhões de reais em infraestrutura, capacitação e em outras áreas referentes ao desenvolvimento e aplicação da Inteligência Artificial, até o ano de 2028.
Sobre o I2A2
O Instituto de Inteligência Artificial Aplicada foi fundado no ano de 2016, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e possui uma visão centrada no desenvolvimento sustentável, atuando na intersecção de tecnologia avançada e necessidades socioambientais. Ele tem por objetivo empoderar governos, empresas e comunidades com soluções que reduzem os desafios relacionados à Inteligência Artificial, e promover uma integração responsável na sociedade.
A instituição atua sob três pilares: educação, ao oferecer formação a estudantes a trabalhar com projetos reais e aprender com grandes empresas do setor; empreendedorismo, fomentando o surgimento de novas empresas que usem soluções inovadoras com o uso de Inteligência Artificial; e “IA para o Bem”, ao trabalhar com outras organizações que buscam melhorar a sociedade usando as IAs.
Serviço:
Curso gratuito de especialização em Inteligência Artificial aplicada aos desafios socioambientais da Amazônia.
Período de Inscrição: Até dia 29 de abril.
Duração do Curso: De 30 de abril a 08 de outubro de 2025
Horário das Aulas: Das 19h às 21h
Inscreva-se aqui!
Haverá emissão de certificados
* Bolsista de Comunicação/CCAD-IA sob supervisão da Profa. Dra. Ana Prado.
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Projeto monitora microrganismos resistentes a antibióticos nos rios amazônicos
Publicado em 25/03/2025
Por Rafael Arcanjo* | Foto: Divulgação
Segundo dados do Boletim Epidemiológico N° 55, publicado no início de 2024 pelo Ministério da Saúde, de 2015 a 2022, o estado do Pará registrou 1.256 casos isolados de infecção por microrganismos resistentes a antibióticos. Por isso mesmo, o monitoramento da presença desse tipo de organismo, classificado como RAM – Resistência aos Antimicrobianos, nos corpos d’água do Pará é fundamental. Este é o objetivo do projeto “Monitoramento de rios da Amazônia quanto a multirresistência a antimicrobianos”, coordenado pelo Prof. Dr. Rommel Ramos, do Laboratório de Simulação e Biologia Computacional, do Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial; e do Laboratório de Bioinformática e Genômica de Microrganismos – LBGM, do Instituto de Ciências Biológicas, ambos da Universidade Federal do Pará.
A iniciativa começou no final do ano de 2021 e conta com financiamento da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica do Pará, a Sectet. O ponto de partida para a pesquisa surgiu dos protocolos sanitários envolvendo o uso de antibióticos para o tratamento da Covid-19, durante a pandemia. A pressão seletiva causada pelo ser humano, por exemplo, ao descartar irregularmente um antibiótico, seja no lixo comum ou jogando na pia ou no vaso sanitário, pode facilitar para microrganismos adquirirem resistência a esse tipo de medicamento.
Segundo o professor Rommel Ramos, os dados da coleta de água dos rios podem ajudar a monitorar microrganismos que podem estar relacionados a infecções em humanos e animais das mais diversas. Ao realizar a coleta em um determinado ponto de um rio, os integrantes do projeto encontraram a presença de microrganismos resistentes, e perceberam que, naquele ponto, as pessoas usam a água de diferentes maneiras, pois não sabem da contaminação. A partir da análise feita pelo projeto, se tem informação suficiente para identificar a contaminação e orientar a população sobre o uso da água.
“Às vezes a gente coleta numa área, onde as pessoas usam essa água para várias finalidades, e a gente percebia que muitas bactérias, capazes de infectar as pessoas, que identificamos como multirresistentes, estavam presentes nessas águas, e as pessoas estavam em contato. E o que isso quer dizer? Essas pessoas podem ser acometidas por doenças que não sabem nem a origem, porque não sabem como está a qualidade da água”, explica o professor.
As análises do projeto foram realizadas em quatro municípios paraenses: Bragança, Marabá, Paragominas e Altamira A partir dos resultados, o objetivo do monitoramento passa a ser procurar e apontar a possível causa da contaminação ou da proliferação dos micróbios resistentes, para no final atingir positivamente a saúde humana e animal da região, através das ações do governo baseadas nos resultados deste tipo de pesquisa aplicada. Haverá, no futuro, uma série de análises na Região Metropolitana de Belém, incluindo a região das ilhas.
A iniciativa conta também com participação de diferentes instituições do Ensino Superior no Brasil, como a Universidade Federal Rural do Pará – UFRA, a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA, e a Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF.
Por que esse tipo de microrganismo é um perigo à Saúde Pública?
Por terem ou adquirirem certa resistência à boa parte das medicações conhecidas, esse tipo de microrganismo – fungos, parasitas, vírus ou bactérias – representa um perigo grave à saúde humana. Esses micróbios são difíceis de serem tratados pela medicina na atualidade justamente por resistirem a maioria dos medicamentos conhecidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a OMS, a RAM é um dos maiores desafios da saúde global hoje.
O uso indiscriminado de remédios e/ou o seu descarte irregular podem acarretar em RAM, por isso é importante não se automedicar, especialmente com remédios da ordem dos antibióticos; e descartá-los em locais adequados. Por exemplo, se uma pessoa descarta um comprimido antibiótico no vaso sanitário e dá descarga, ele se dilui e acaba na rede de esgoto. Ao chegar nesse ambiente, o medicamento, em pequena quantidade, pode ajudar na evolução dos microrganismos, tornando-os resistentes.
De acordo com a Lista de Patógenos Bacterianos Prioritários de 2024, a BBPL (sigla em inglês), organizada pela OMS, atualmente 15 famílias de bactérias são reconhecidas como resistentes. Elas estão agrupadas em grupos de prioridade crítica, alta ou média. No segundo grupo estão classificados alguns patógenos conhecidos, como a Salmonela e a Pseudomonas aeruginosa, responsável por infecções hospitalares em pacientes.
Um leque de possibilidades
O projeto tem a capacidade de diversas aplicações a partir da análise, do sequenciamento genético dos microrganismos presentes na água e do uso de inteligência artificial para identificar padrões nos dados que possam indicar risco à saúde. Além de poder identificar os patógenos de uma determinada área, a iniciativa também realiza trabalhos de identificação de genes com potencial de biorremediação, isto é, capacidade de corrigir ou amenizar alguma contaminação no rio; identificação de bacteriófagos, uma família de vírus especializados em infectar bactérias, específicos da flora intestinal e que podem servir como marcadores de poluição fecal.
A identificação desses micróbios antecipadamente permite o manejo adequado por produtores que utilizam águas de rios ou outros cursos d’água, e ajuda também a amenizar as perdas financeiras da indústria de piscicultura, por exemplo, especialmente quando a água bombeada para os viveiros dos peixes vem de rios contaminados. De acordo com o professor Rommel, ao conversar com piscicultores nas regiões de coleta, eles relatam eventos de mortandade dos peixes associadas a infecções fúngicas, mas que agora sabe-se que pode ter participação de outros microrganismos.
* Bolsista de Comunicação/CCAD-IA sob supervisão da Profa. Dra. Ana Prado.
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O prof. Dr. Renato Francês, diretor-técnico do PCT Guamá e coordenador do Labcity, laboratório vinculado ao CCAD-IA, foi citado em uma nota publicada na coluna Linha Direta, do jornal Diário do Pará, na edição 14.818, publicada nesta sexta-feira (30).
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O Centro Paraense de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial — CCAD-IA apoiou a pesquisa feita pelos pesquisadores Vinicius Abreu (Faculdade de Computação/UFPA) e Alessandro Varani (Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias/Unesp), que sequenciou o genoma do cupuaçu.
Você confere mais informações acessando o texto completo na revista Beira do Rio, da UFPA. O link está disponível aqui!