
Por Felipe Vilhena* | Foto: Carol Bremgartner
Desde meados dos anos 90 e 2000, a tecnologia passou a ser introduzida no universo infantojuvenil cada vez mais cedo, seja dentro ou fora de casa. Foi pensando nessa tendência que o Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado (LEA), em parceria com o Centro de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica (Ciseb), desenvolveu o curso de introdução à linguagem Python de programação para capacitar alunos do ensino fundamental e médio. Este é o primeiro de uma série de minicursos que serão realizados no centro com o objetivo de disponibilizar as ferramentas para os estudantes da rede pública estadual desenvolverem seus próprios programas.
Inaugurado em dezembro do ano passado pela Seduc, o Ciseb é uma instalação que visa proporcionar aos estudantes o contato com diferentes espaços e ferramentas para realizarem atividades que mesclam sustentabilidade e tecnologia, fortalecendo o ensino e desenvolvimento profissional dos discentes. Localizado na Escola Estadual Marechal Cordeiro de Farias, no bairro do Souza, em Belém, o centro é aberto para todas as escolas públicas municipais e estaduais da Região Metropolitana de Belém. O espaço possui seis salas de imersão onde as turmas podem fazer uma trilha de aprendizagem, passando por: prototipagem e fabricação digital; cultura maker; cultura digital, realidade virtual e aumentada; robótica; computação criativa; e inteligência artificial.
A instalação faz parte da Política Pública de Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima da Seduc, que tem como objetivo implementar ações e práticas educativas voltadas à defesa e preservação do meio ambiente. O Ciseb, portanto, surge como um ambiente que estimula o pensamento criativo e ideias inovadoras que juntem tecnologia e sustentabilidade para uma formação cidadã e crítica. E é nesse ponto que o LEA surge para agregar e explorar todo o potencial desse projeto do Governo do Estado.
Sobre o Minicurso
Segundo um dos coordenadores do LEA, Prof. Dr. Fabrício Rossy, o objetivo do minicurso é capacitar os estudantes para o mercado de trabalho e despertar o interesse pela tecnologia. Com a forte veia ecológica dos trabalhos já desenvolvidos no Ciseb, o curso precisou ser repensado levando em conta a sustentabilidade.
“A gente teve que repensar os cursos que a gente tava fazendo baseado também na metodologia que eles estão acostumados a trabalhar, na questão da sustentabilidade, de utilizar materiais que gerem um baixo impacto ambiental. Isso pra gente foi bem gratificante, ter essa troca com eles”, conta Rossy.
Toda a metodologia foi pensada pelos bolsistas do LEA com auxílio de Rossy, que incentiva a proatividade dentro do laboratório para desenvolver os minicursos. Ele explica que evitou fazer aulas unidirecionais sem espaço para ouvir os alunos, e sim colocá-los no centro do processo de ensino. A preocupação com a escuta está presente, por exemplo, na escolha dos temas dos minicursos planejados pelo laboratório — que surgiram da demanda que os próprios estudantes do Ciseb apresentaram.
Para Jorge Santos, bolsista do LEA e um dos responsáveis pela elaboração e execução do minicurso, um dos desafios de trabalhar com adolescentes é entrar no universo desse público e cativá-los a interagir com as aulas e atividades propostas. Já para a bolsista Adryele Oliveira, o curso traz muitas oportunidades que a faculdade não proporciona na graduação. “Na minha experiência, isso complementa o conhecimento do meu curso, porque meu curso, por exemplo, não é focado em robótica. Eu não tenho nenhuma matéria de robótica propriamente dita. Mas, por causa desse projeto de extensão, eu tive que aprender para poder ensinar. Então, acho que fomentou muito esse conhecimento em mim”, explica a aluna.

Futuro do Projeto
Após o término do minicurso de Python, a ideia é seguir com o projeto e ministrar outros cursos para os alunos da rede pública de ensino, com uma duração média de 1 mês para cada. O coordenador Rossy também conta que cada aula dos cursos é pensada para ter início, meio e fim, para os alunos aprenderem o conteúdo e pôr em prática no mesmo dia.
As aulas estão em andamento desde o fim da COP30, mas ainda com encontros marcados para os dias 27 e 30 de janeiro e 3 de fevereiro. Todos são abertos para qualquer aluno da rede pública estadual do 9º até o 2º ano do ensino médio.
* bolsista do Laboratório de Comunicação e Difusão da Ciência, sob supervisão da Profa. Dra. Ana Prado
