Eduardo Cerqueira, pesquisador e integrante do comitê gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia IAmazônia, apresentou no Panamá o estudo que propõe o uso de Inteligência Artificial em sensores para tornar o monitoramento hídrico e ambiental na Amazônia mais eficiente e com menor custo energético.
Por Carolina Klautau

Como realizar monitoramento ambiental e de água na Amazônia com menor custo energético e mais eficiência? Essa é a pergunta que o coordenador do Laboratório de Cidades Inteligentes e Sustentáveis (LACIS), pesquisador e integrante do Comitê Gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia IAmazônia, Eduardo Cerqueira, busca responder por meio da pesquisa “AmazonIA: Inteligência Artificial de ponta e Internet das Coisas (IoT) inteligente para monitoramento hídrico e ambiental na Amazônia – desafios e oportunidades”.
Entre os dias dois e quatro de fevereiro de 2026, o pesquisador participou do “3° Workshop sobre Serviços e Aplicações Inteligentes de Internet das Coisas (IoT)” na cidade do Panamá ao lado de pesquisadores da América Latina, Central, Europa e Estados Unidos. O evento reúne a comunidade internacional para trocar informações sobre avanços em Internet das Coisas, apresentar aplicações reais de IoT e promover colaborações entre academia, indústria e órgãos públicos visando soluções replicáveis e sustentáveis com impacto social.
Internet das Coisas – tradução de Internet of Things (IoT) – é uma tecnologia que conecta dispositivos do dia a dia à internet e computadores, possibilitando controle, comunicação e interação entre eles. Dessa forma, é possível gerenciar dispositivos por meio de conexão Wi-Fi ou Bluetooth, por exemplo. Smart TVs, drones e smartwatches são algumas formas de uso da Internet das Coisas no cotidiano.
Na sessão especial sobre Serviços e Aplicações para Monitoramento de Água e Meio Ambiente, Cerqueira apresentou estudo que tem como preocupação que os dados coletados em pesquisas que utilizam monitoramento por sensores sejam transmitidos com menor impacto ambiental e maior eficiência.
Atualmente, a maioria das soluções em Internet das Coisas depende da coleta e encaminhamento de dados a um servidor central para, só então, a Inteligência Artificial interpretar as informações reunidas. A proposta de pesquisa do coordenador do LACIS é criar uma espécie de “atalho” para que os dados cheguem a quem precisa, inserindo a Inteligência Artificial no próprio sensor, eliminando a necessidade de uma nuvem central.
“Otimizar a transmissão dos dados é ainda mais importante numa região com características tão complexas quanto a Amazônia. Por exemplo, se você coloca um conjunto de sensores numa comunidade rural ou numa região isolada e elimina a necessidade de que os dados coletados passem por um servidor central, as informações sobre monitoramento ambiental e de água chegam de forma mais rápida e com menor custo energético a quem precisa dessas informações. Isso é essencial numa região com sinal de internet intermitente ou com qualidade ruim”, explica Cerqueira.
Algum dado é melhor que nenhum dado
A motivação para a realização da pesquisa sobre monitoramento hídrico e ambiental na Amazônia vem de quatro âmbitos: a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Belém em 2025, as emergências climáticas (como as secas e inundações extremas ocorridas nos últimos três anos), a possibilidade de fazer parte do mercado de carbono e a necessidade de conhecimento da fauna e da flora amazônica com mais detalhes.
“Nós ainda conhecemos muito pouco da Amazônia. Pesquisadores de outros locais do mundo, como Suécia e Suíça, querem saber como vamos contornar a imensa extensão geográfica da Amazônia e a questão da exclusão digital para gerar conhecimento e soluções inovadoras para compreender, ainda mais, as especificidades da região – isso inclui pesquisadores de países como Panamá e Equador, que também sofrem com problemas de acesso à internet”, revela Cerqueira.
A pesquisa “AmazonIA: Inteligência Artificial de ponta e Internet das Coisas (IoT) inteligente para monitoramento hídrico e ambiental na Amazônia – desafios e oportunidades” deve ser realizada no entorno da Universidade Federal do Pará (UFPA). Após a conclusão da etapa teórica do estudo que foi apresentada no Panamá, ele entra na segunda fase: o desenvolvimento de um simulador para validar a ideia antes do experimento. O objetivo é que o modelo criado seja replicável para outras situações.
O estudo é desenvolvido pelo Laboratório de Cidades Inteligentes e Sustentáveis (LACIS) que realiza pesquisas interdisciplinares e projetos voltados à concepção, implementação e avaliação de soluções tecnológicas para cidades inteligentes e sustentáveis. No escopo do projeto, está o desenvolvimento de plataformas e aplicações para monitoramento urbano e rural, mobilidade inteligente, energia e meio ambiente. O avanço científico e tecnológico para o desenvolvimento sustentável da região amazônica é um dos objetivos do LACIS.
Este trabalho foi produzido no âmbito do projeto Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia IAmazônia. Agradecemos ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ao Ministério da Saúde (MS), ao Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT), à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS), à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e às Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) pela aprovação da proposta sob o edital No.409001/2024-4.
