
Por Rafael Arcanjo* e Felipe Vilhena* | Foto: Felipe Vilhena
O Laboratório de Nanociência e Nanotecnologia da Amazônia – Labnano-Amazon, da Universidade Federal do Pará, aprovou um financiamento de R$19 milhões, no Edital 25/2024 – PROPESP. O certame selecionou propostas de expansão de infraestrutura ou recuperação de laboratórios ou projetos científicos. A proposta do Labnano-Amazon prevê investimento para recuperação de outras iniciativas dentro da UFPA.
O objetivo do Labnano-Amazon é expandir seu parque de equipamentos para melhorar o atendimento à crescente demanda interna e externa à UFPA no estudo de nanomateriais, consolidando o laboratório como referência regional de caráter multiusuário. A coordenadora do laboratório e redatora da proposta, Ângela Klautau, explica que “esse projeto envolveu várias áreas de pesquisa da universidade. Aqui na física, no Laboratório de Nanociência e Nanotecnologia, alguns equipamentos serão modernizados como o Raman, o microscópio eletrônico de varredura”.
Dentre os beneficiados pelo projeto estão o Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial (CCAD-IA), o Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), o Hospital Barros Barreto, o Laboratório de Geologia Isotópica (Pará-Iso) e o Laboratório de Cromatografia Líquida da UFPA (Labcrol).
Multiuso, ensino e pesquisa de alto nível
Um dos principais pontos que levaram o Labnano a aprovar tantos projetos foi seu caráter multiusuário consolidado. Anualmente, de acordo com a gestão do laboratório, são atendidos cerca de 35 unidades acadêmicas da UFPA, entre programas de pós-graduação e outros. Já externamente, o Labnano mantém parcerias com outras dez instituições de pesquisa, e conta com oito colaborações com outras instituições (indústria, governo e etc). No ano de 2023, foram realizados, em média, três mil atendimentos para a comunidade interna e externa. Essas parcerias já renderam ao Labnano participações em 14 patentes.
“Hoje, nós recebemos visitantes de outros estados para realizar medidas aqui, gente do Ceará por exemplo. Em dezembro nós recebemos poloneses aqui, que passaram o mês fazendo medidas em perovskitas com propriedades fotovoltaicas. Um dos trabalhos científicos de grande impacto que temos aqui é com perovskitas de haleto, com propriedades fotovoltaicas, formados com materiais de metais orgânicos, que é um dos temas que deu origem ao artigo publicado na Nature Communications, em dezembro do ano passado. Então temos um link de uso internacional, de internacionalização, da UFPA por meio dos laboratórios com esses aportes financeiros que originam essas técnicas”, aponta o Prof. Dr. Waldeci Paraguassu, membro do Labnano e Especialista em Propriedades Óticas e Espectroscópica da Matéria Condensada.

O corpo de docentes associados ao Labnano é altamente especializado e, para o Prof. Waldeci Paraguassu, este é um dos principais pontos que levam o laboratório a conseguir se expandir cada vez mais. “Esses equipamentos são usados por quase todos os professores. Mesmo o Waldomiro Paschoal, que é especialista em microscopia, ele utiliza essas técnicas. Os professores que trabalham com óptica, como o professor Newton Barbosa Neto, e o professor Sanclayton Moreira são especialistas em técnicas de óptica. Então temos um parque que é compatível com o quadro de professores disponíveis”, comenta Paraguassu.
A Profª. Ângela Klautau destaca, ainda, que a equipe do laboratório não presta só apoio aos usuários, mas também possibilita uma oportunidade para o aprendizado. “Entra estudante aqui, e ele não quer apenas deixar a amostra aqui e receber o resultado, ele quer participar, quer aprender, quer de alguma forma aprimorar o conhecimento científico dele. Aqui deixamos as portas abertas para isso”, ressalta a Profª. Klautau. Nos últimos anos, uma sucessão de cortes e restrições orçamentárias tem ajudado cada vez mais a comprometer a continuidade plena de ensino e pesquisa nas universidades, que representam pelo menos 90% de todas as pesquisas científicas realizadas no Brasil, segundo a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Por conta desse cenário, Ângela considera editais de recuperação de laboratórios primordiais para manutenção da pesquisa e do estado da arte de alto nível dentro das universidades. “Sem esse tipo de edital fica muito difícil a gente dar continuidade às pesquisas que já estão ocorrendo, também a formação de pessoal qualificado […]. Em Ciências, tudo caminha numa velocidade em que se você não se modernizar, fica complexo fazer qualquer pesquisa que seja com alto impacto”, afirma a coordenadora do Labnano sobre a produção de ciência no Brasil.
* bolsista do Laboratório de Comunicação e Difusão da Ciência, sob supervisão da Profa. Dra. Ana Prado
