Por Rafael Arcanjo* | Foto: Rafael Arcanjo

O Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada às Cidades Inteligentes (LabCity) recebe a Professora Doutora Juçara Sobrinho, da Universidade Federal de Minas Gerais, para um workshop de capacitação sobre citologia convencional, de 23 a 25 de junho, no Centro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial (CCAD-IA). O treinamento tem por intuito aprimorar as técnicas de IA para a leitura de lâminas de papanicolau, atividade exercida pelo laboratório

“A citologia é um método para o diagnóstico precoce e para o rastreamento do câncer de colo uterino. O rastreamento é analisar a população feminina ao longo da vida, de preferência no início da vida adulta ou da vida sexual ativa, para ter um diagnóstico precoce. Esse método se baseia em analisar as células descamadas do colo do útero”, explica Juçara Sobrinho, Doutora em Tocoginecologia e professora de Citologia Clínica da Faculdade de Farmácia da UFMG.

Ela acrescenta que o método é bem antigo e foi implantado pelo cientista grego Geórgios Papanicolaou, aproximadamente em 1952. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCRA), o Brasil terá 19.310 novos casos de câncer de colo do útero por ano, entre 2026 e 2028. Este tipo de câncer é o segundo com maior incidência na Região Norte. De acordo com a pesquisadora, a formação para o laboratório é a primeira vez em que ela terá contato com uma pesquisa que une a inteligência artificial com a citologia.

Um dos maiores beneficiários deste workshop será o projeto Brasil++, cujo objetivo é fornecer agilidade no diagnóstico precoce do câncer de colo de útero e alterações que exigem uma melhor atenção. A aplicação do método no sistema de saúde visa diminuir o tempo de espera posterior à coleta das lâminas do papanicolau, especialmente para aquelas pacientes cuja coleta ocorreu, por exemplo, em localidades com pouca infraestrutura ou remotas.

Sidnir Ferreira, doutorando em Engenharia Elétrica e integrante do LabCity, destaca a posição estratégica que a formação ministrada pela professora Juçara terá. “A professora Juçara possui uma trajetória consolidada na citologia clínica, aliando décadas de experiência no ensino, na formação de profissionais e na implantação do serviço de citologia do Instituto Hermes Pardini. Nossa expectativa é que essa vivência contribua de forma estratégica para o projeto Brasil++ e para o eixo Saúde Pública do INCT IAmazônia, aproximando ainda mais a prática clínica da pesquisa em inteligência artificial e fortalecendo a qualidade científica das soluções que estamos desenvolvendo”, destaca Sidnir Ferreira.

Para Sobrinho, os três dias de formação terão diferentes assuntos e ela pretende contribuir para as pesquisas do LabCity. “Eu acho que eu tenho mais o que aprender com vocês, mas também tenho muito a ensinar. Vou tentar abranger algumas áreas bem importantes do diagnóstico citopatológico, explicar a metodologia do papanicolau e o alcance que temos com essa técnica exatamente porque está entrando uma metodologia nova, que é esse método de diagnóstico que vai falar se a pessoa tem ou não o HPV, que é o agente etiológico do câncer”, ressalta Sobrinho.

“Para que modelos de IA sejam confiáveis, eles precisam ser treinados com dados de alta qualidade e fundamentados no conhecimento de especialistas. Nesse contexto, a experiência da professora Juçara será essencial para aprimorar os critérios de leitura e classificação das lâminas citológicas, contribuindo para a construção de bases de dados mais consistentes e para o desenvolvimento de modelos mais precisos, robustos e com maior potencial de aplicação na prática clínica”, finaliza Sidnir Ferreira.

*bolsista do Laboratório de Comunicação e Difusão da Ciência (LabCDC), sob supervisão da jornalista Carolina Klautau 

LabCity capacita pesquisadores em citologia convencional

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