
Detectar precocemente o câncer de mama é fundamental para reduzir a mortalidade da neoplasia, que é a de maior incidência no mundo todo. E quando se fala de diagnóstico precoce na Amazônia, a situação se complexifica por conta das limitações infraestruturais, da desigualdade social, da escassez de equipamentos de mamografia e de especialistas. Pensando em caminhos para reverter essa situação, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) IAmazônia, por meio do Laboratório de Inteligência Artificial aplicada a Cidades Inteligentes (LabCity), realiza o I Workshop Amazônico Deep BI-RADS: Inteligência Artificial para a Antecipação Diagnóstica do Câncer de Mama, nos dias 13 e 14 de agosto.
A programação, que ocorre no Guamá Hub, localizado no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá), e no Centro de Computação de Alto Desempenho (CCAD-IA), na Universidade Federal do Pará, conta com pesquisadores da Universidade de São Paulo, da Pontifícia Universidad Católica del Perú (PUCP), da Universidad de los Andes (Uandes) e de outras instituições. Entre os temas discutidos nos dois dias de programação, estão: impacto das disparidades regionais na interpretação de lesões mamárias, inteligência artificial para a antecipação diagnóstica do câncer de mama na Amazônia e a integração entre radiologia, IA, inovação e DeepBI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) – sistema internacionalmente validado que padroniza achados ultrassonográficos e realiza recomendações de conduta médica conforme o resultado do exame.
De acordo com o coordenador do INCT IAmazônia e do LabCity, Prof. Dr. Renato Francês, a pesquisa nasce a partir da necessidade de resolver um problema da Amazônia, mas que pode ser reproduzida em outros locais. “Na região amazônica, temos algumas das cidades com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, o que faz com que o diagnóstico precoce do câncer de mama seja extremamente desafiador. A partir da nossa realidade, estamos propondo soluções que podem ser usadas no mundo inteiro. Mas o nosso principal objetivo é que o SUS seja o maior beneficiado por essa iniciativa”, considera.
Ao longo da programação do Workshop, que é gratuita e destinada a profissionais que atuam na área das ciências da saúde e que lidam com inteligência artificial, resultados preliminares do uso da inteligência artificial na antecipação diagnóstica do câncer de mama vão ser apresentados.
No projeto de pesquisa, a IA é utilizada da seguinte forma:
1. Os dados da paciente, como histórico familiar, fatores de risco e as imagens de ultrassonografia mamária, são inseridos na plataforma SIDCAM – Sistema Inteligente de Apoio ao Diagnóstico do Câncer de Mama, desenvolvida no âmbito do projeto DeepBI-RADS;
2. A inteligência artificial entra como apoio durante a análise das imagens de ultrassom: enquanto o médico usa a plataforma para validar o exame, a IA ajuda na identificação de lesões, na análise de sua morfologia (forma, tamanho e orientação, por exemplo);
3. Os dados da paciente e os achados morfológicos das lesões são analisados em conjunto e classificados de acordo com a classificação BI-RADS, que auxilia na estimativa do risco de malignidade e na definição da conduta médica recomendada. A decisão diagnóstica e clínica permanece sob responsabilidade do profissional de saúde.
“A inteligência artificial pode apontar com grau de certeza grande a possível presença da neoplasia na paciente. Esse laudo pode ser enviado para médicos em diversos locais e confirmar, ou não, o diagnóstico. IA passa a ser uma técnica de suporte fenomenal ao médico. A inteligência artificial tenta reproduzir, com tempo menor, o que o cérebro humano encontraria, quando muito bem treinado. O olhar do cientista no microscópio é mais eficiente do que a IA, o problema é que, muitas vezes, falta esse cientista. Com o suporte da ferramenta, milhares de exames podem ser lidos ao mesmo tempo – o que levaria meses para ser analisado, a IA consegue fazer de forma muito rápida”, avalia Francês.
O Workshop DeepBI-RADS: Inteligência Artificial para a Antecipação Diagnóstica do Câncer de Mama é uma ação de difusão científica e tecnológica do projeto DeepBI-RADS: Deep Learning para a Antecipação Diagnóstica de Câncer de Mama, aprovado na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 03/2025 – PRÓ-AMAZÔNIA e executado pelo Instituto de Saúde, Ciências e Tecnologia da Amazônia (iSACI). O evento tem como objetivo promover um ambiente de integração entre pesquisadores, profissionais da saúde, especialistas em Inteligência Artificial, gestores públicos, estudantes e demais interessados na aplicação de tecnologias inovadoras para o diagnóstico precoce do câncer de mama. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site I Workshop Amazônico Deep BI-RADS.
